30 de set de 2016

Resenha/Livro: A Teia dos Sonhos


Olá pessoal, tudo bem? No post de hoje trago a resenha de um livro que recebi diretamente da autora: A Teia dos Sonhos, da Karine Aragão.
O livro trata de uma temática que sempre tive muita curiosidade e interesse em ler, mas nunca tive a oportunidade.
Clique em continue lendo para saber com mais detalhes.





Título Original: A Teia dos Sonhos
Autor(a): Karine Aragão
Editora: Muiraquitã
Ano: 2015 (independente); 2016 (editora)
Páginas: 201






Sinopse
Júlia e Laura são duas adolescentes, de 16 anos, que, para eternizar a forte amizade que as une, decidem tatuar uma Teia dos Sonhos em seus braços. A euforia pela tatuagem única, desenhada por Júlia, esvai-se no dia seguinte, quando ela recebe a notícia de que Laura suicidara-se na noite anterior, atirando-se da janela do 13º andar. Júlia vê seus dias tomados pelo caos, em um misto de saudade e de raiva, sem saber os motivos que levaram Laura a tirar a própria vida. Júlia, então, embarca em uma busca que a leva a perceber os fantasmas que invadiram a cabeça de Laura e a refletir sobre sua própria vida. No meio de todo esse turbilhão, a presença de Bernardo representa a dúvida se o amor pode mesmo ser mais forte do que uma grande mentira.

Opinião
Quando recebi a mensagem da autora Karine Aragão me convidando para conhecer e resenhar sobre seu livro eu já havia ficado bastante animada. Afinal, ser reconhecida pelo seu trabalho e ver outras pessoas desejando que seus livros sejam resenhados por você já é uma honra enorme. Mas, essa animação acabou aumentando quando pedi pela sinopse e descobri que a temática do livro escrito por ela seria voltada para o assunto do suicídio.
Sempre tive grande interesse em ler obras que abordassem esse tema específico por milhares de motivos, e um dos principais deles era o fato de que ainda existe um preconceito e um julgamento muito grande em cima disso. A falta de empatia das pessoas as deixam cegas sobre vários pontos e as fazem enxergar o suicídio apenas como um ato egoísta quando mal sabem o que se passa na mente de uma pessoa que recorre a esse meio. Portanto, ler um pouco mais sobre o assunto me faria entender melhor e melhorar ainda mais os meus argumentos em cima disso quando fosse defender o meu ponto de vista.
Entretanto, quando recebi o livro em mãos, descobri que ele não trataria o suicídio exatamente dessa maneira. Karine (sendo doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Literatura e professora) desenvolve uma relação com seus alunos que lhes proporcionam conversas relacionadas ao que é, para eles, o “estar no mundo”, e estão sempre discutindo o valor da vida, do amor e da amizade. E é exatamente disso que A Teia dos Sonhos trata.
Não fiquei desapontada ao descobrir que o livro trataria do assunto que eu tinha tanto interesse em ler de uma maneira diferente da qual eu tinha criado expectativas. Muito pelo contrário, fiquei muito curiosa para saber de qual maneira a autora traria essas mensagens discutidas com seus alunos para o livro. E acabou sendo uma experiência muito interessante e reflexiva.
A história é centrada em Júlia e em suas atitudes, pensamentos, reflexões e experiências com o fato de sua melhor amiga, Laura, ter se suicidado. E essa é uma das características que mais me chamou atenção no livro, tanto por um lado bom, quanto por um lado ruim.
A autora não deixa de lado todos os sentimentos presentes na perda de uma pessoa amada (que optou pelo suicídio) e no luto. São explícitos o ódio e a raiva por se tratar de um suicídio sem explicações; é explícita a culpa por achar que foi responsável pela morte da amiga ou por achar que deveria ter prestado atenção e ter feito alguma coisa; são explícitas a curiosidade, a angústia e a intriga por não saber quais foram os motivos que a levaram fazer o que fez, e é explícita, principalmente, a tristeza, a depressão e a saudade da pessoa amada e que decidiu partir. Esses são pontos que achei sensacionais de terem sido explorados nesse assunto. A morte de alguém que amamos não traz apenas a tristeza, a depressão. É um misto de sentimentos que só quem já passou por tal situação saberia reconhecer.
Entretanto, mesmo que essa mudança de sentimentos tenha sido incrivelmente abordada nesse aspecto, também acho que foi pouco explorada no lado da pessoa que optou pelo suicídio, que no caso é melhor amiga de Júlia, Laura. Senti falta de ter, no mínimo, uma pequena explicação dos motivos que a levaram a fazer o que fez e senti falta de uma pequena lição sobre esse assunto também. Entendo que o ponto principal do livro era trazer à tona a discussão de sempre optar pela vida, pela amizade, pelo amor e seguir seu caminho tornando seus problemas relativamente menores que a sua felicidade, mas também acho que para ensinar isso, devemos também ensinar que muitas vezes esses problemas que nos levam ao extremo não podem ser simplesmente diminuídos com a simples e pura vontade própria e precisamos de ajuda para combatê-los e voltar a ver a vida de uma maneira boa.
É importante tocar no assunto e nos motivos que levam uma pessoa a pensar que não há mais saída, e é exatamente dessa maneira, abordando o assunto e os motivos, que quebraremos tabus e acabaremos com o preconceito que está por volta disso. É falando disso que incentivaremos as pessoas a buscarem ajuda quando se virem no fundo do poço ou sem saída. Incentivar a escolher a vida, como o livro faz, é extremamente importante, não tiro os créditos disso jamais, mas também é importante bater na tecla dos problemas que levam uma pessoa a recorrer ao suicídio. Esse é o principal ponto do qual mais senti falta durante a leitura.
Portanto, mesmo que eu tenha sentido falta dessa característica em particular ser abordada no livro, ainda assim entendo o ponto de vista da autora e suas intenções ao escrever cada palavra; e, é claro, considero A Teia dos Sonhos um livro de extrema importância. Ele pode ser considerado um grande incentivador e até mesmo um autoajuda disfarçado com uma história realmente muito cativante, dramática e interessante. Apesar do tema pesado, Karine faz com que você consiga ver uma luz no fim do túnel. Ela alcançou o seu objetivo: transmitiu a importante mensagem de que é sempre melhor optar pela vida.

Capa
A capa, feita por Cecília Barreto, além de muito bonita, teve extrema coerência com a história tratada no livro. O que, particularmente, sempre me chamou a atenção na ilustração da capa é o detalhe para o nome das duas personagens principais do livro, das duas melhores amigas Júlia e Laura, gravados na tatuagem das garotas. É essa cautela com os pequenos detalhes que fez com que a ilustração casasse perfeitamente com a história contada por Karine. Achei ótimo!


Marcações

"A morte era definitiva, e a saudade um sentimento estranho de impotência. Você pode gritar, chorar, brigar com o mundo, mas nada do que você faça pode trazer à vida. A vida passa, como um jogo que acaba e não pode recomeçar. Um único The End para cada um." 

"Toda farsa chega ao fim." 

"Quando alguém que amamos nos decepciona, parece que isso cola no nosso coração e nunca mais vai sair." 

 "Ilusão a minha achar que nesse mundo se pode viver sem alguém que nos cuide, que nos proteja dos caldos do mar e da vida."

Nota:
Então é isso pessoal, espero que tenham gostado do post! E se gostaram, deixem o curtir lá em cima ao lado do título (não esqueçam de confirmar) e comentem o que acharam!
Até mais!

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